Marcas de um tempo

 

Em meu e-mail*
Na busca por poesias
Palavras sobre 2011
Que com certeza escrevi

Deparei-me com informações sobre Alertas
Pontos de Apoio
Estágios de Atenção.

Nova Friburgo quase dormia
Quando uma forte chuva
Tirou muita gente da cama
Pra colocar os pés na lama
No chão.

O que eu, friburguense, não sabia
É que a chuva de janeiro de 2011
Levaria para sempre
A certeza do amanhã.

Passei a conviver com o medo
e ao cair uma primeira gotinha
buscava informações sobre deslizamento.

Demorei a voltar a ter coragem
De apreciar chuva de granizo
De parar tudo que eu estivesse fazendo
Para contemplar gotinhas que caem do céu
Que molham plantas e criam partituras no telhado.

Aprendi a viver em alerta, confesso
Mas quando posso
Desligo as sirenes internas
Agradeço por ainda estar aqui
Olho para o passado
E aos poucos ainda vou curando
Tantas marcas que aquele tempo deixou.

Mirra Medeiros - 2021

*em janeiro de 2011 eu trabalhava no Departamento de Comunicação Social da Prefeitura de Nova Friburgo/RJ

Texto para e-book do Instituto Leituras - 10 Anos Depois - Nova Friburgo/RJ - 2021 (página 34)


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