Aos 40
A pele já não é tão rígida
Mas o brilho da experiência é marcante.
O sorriso já não se abre para qualquer coisa
Mas ao ocupar um lugar na face
É certo que algo de muito especial faz parte de uma alma feminina.
Os cabelos brancos vão ocupando os espaços dos cabelos castanhos
E mechas naturais destacam o rosto
Que olhou em tantas direções por 40 anos.
O olfato já não se deixa despertar para qualquer coisa
Ele faz parte de um jogo onde dá as regras.
As mãos macias, por conta de cremes hidratantes
São capazes de percorrer caminhos com muito mais segurança.
Já não se toca a mesma música no aparelho de som
Mas a audição é, a cada dia, mais refinada.
E o sofisticado dá lugar ao casual
Que através dos lábios é capaz de apreciar novos sabores
E desejar experimentar o inesperado.
O olhar não fere
Procura.
O perfume não incomoda
Atrai.
Os dedos não se impõem
Deslizam.
As curvas não sumiram
Se escondem nas lembranças das histórias.
Já não há tantas formas definidas
Mas há espaços ainda ocultos a serem descobertos.
O Sol brilha, não convidando ao mergulho,
Mas a um passeio.
As entrelinhas já não são tão sutis
Mas ajudam a contornar os desejos da mulher madura.
Já não há tanto medo.
Há metas
Há olhares
Objetivos
Alvos
Apostas
Propósitos.
Aos 40, não há medo de perder.
Ganha-se todo dia
Com o dia que se inicia
E por isso fica muito mais fácil Viver.
Mirra Medeiros - 08/11/2010 - Nova Friburgo/RJ
Foto autoral
Em 2022, o poema foi interpretado por Verônica Bello
na peça teatral "Momentos", da qual fiz parte do elenco
https://youtu.be/mNgZ1ljzEQY?si=sFaWKd3LdSVIP57r

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