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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Oração de sempre

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Bendita seja a água  Bendita seja a vida  Benditos sejam os livros As palavras, os gemidos. Bendita seja a música  A paisagem  Os pássaros  A brisa. Bendita seja a fé  A conquista  O amor  A esperança. Que os sonhos  Aconteçam todos os dias Que a tempestade  Seja breve E que o sorriso  Jamais desapareça. Bendito seja o olhar A face  O toque. Bendita seja a luz E o ar que se respira. Bendita seja a força  Que existe dentro de cada um. Bendita seja a flor  A brisa fresca  O orvalho  O anoitecer. Bendita seja a terra  A semente  E o homem que a cultiva. Bendita seja  A capacidade de dormir e acordar. Bendita seja a coragem  De abrir a janela, a porta  E dar passos em direção ao dia que se inicia. Bendita seja a natureza! Benditos sejam  Os corações dos homens  Que não se tornaram pedras! Mirra Medeiros - 16/02/2003

Consecutivos barulhos

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Crédito Led Lemos O Recanto não é mais o mesmo. O dia começa com uma mensagem no celular. Depois vem o barulho de pombos andando sobre telhas, bem na direção da minha cabeça, ainda no travesseiro. Tento ignorar os ‘sons’ para despertar. Antes de começar a escrever, ligo a máquina de lavar roupas e seu barulho se soma aos outros. Lá fora, um caminhão é carregado de latinhas para reciclagem, bem embaixo da janela do meu quarto. Mais à frente, um esguicho de água lava a rua e um automóvel, durante muitos minutos. A essa altura, as crianças da casa vizinha acordaram e suas falas e ‘gritos’ podem ser ouvidos em meio aos consecutivos barulhos. Oh, céus! Como o silêncio é precioso! Já não basta o barulho dos meus pensamentos? Mirra Medeiros - 01/03/2012

Pernas

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  São elas, as pernas que me acordam para caminhar. À noite reclamam. No dia seguinte as coloco para trabalhar. Mirra Medeiros - 04/01/2024

Hora do anjo

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Serei forte. Enxugarei as lágrimas e colocarei um sorriso no rosto Mesmo que por dentro o coração esteja fragilizado. Demonstrarei carinho e afeto para não preocupar E, quem sabe, assim conseguirei afastar a tristeza A preocupação, a fragilidade, a dúvida? Outubro chega para aquecer Para aprofundar laços Para colorir. Aos poucos vamos esquecendo o cinza e o bege do inverno E transformando o cenário em arco-íris. Pássaros coloridos saem de seus ninhos E procuram campos floridos. E o canto dos pássaros vira mantra Todas as manhãs e final da tarde Quando o ar está mais fresco. Brisa de outubro Brisa de primavera Abençoem essa terra Os humanos As plantas E os animais. Mirra Medeiros  -  08:08 -  28/09/2014

Sapatos da vida

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Depois de terem colocado roupinhas assim que nasceu, vestiram em seus pés o primeiro sapatinho. Ele aqueceu como um abraço. Era vermelho, de tricô, mas até hoje não se sabe quem o teceu. Todos os dias era trocado, cada par de uma cor, diferente das camisinhas pagão, que em sua maioria era em tons pastéis. E como em um toque de mágica, a mamãe escolhia tudinho para combinar. Na proporção em que os dias iam passando, em alguns momentos ela queria arrancá-los, e quando ficava com os pés para cima olhava cuidadosamente, em detalhes, embora ninguém percebesse. Os sapatos tinham laços e fitas, eram engomados ou bem macios, que, juntos com as meias, aqueciam ainda mais os seus pezinhos. Nasceu em julho e até hoje não gosta muito do frio. Seus pés sempre foram os primeiros a dar sinal de desconforto. A menina foi crescendo e usando o modelo estilo ‘boneca’, que gosta até hoje, aos seus 58 anos de idade. Sem muitos detalhes, simples, mas cheios de estilo, por causa dos materiais em que são conf...

Almoço em família

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1970 - Macarronada com molho de tomate e carne moída, ovo cozido cortado em rodelas para decorar, e queijo parmesão ralado 2020 - Massa com molho de manjericão e muçarela ligth 1970 - Frango caipira ensopado, com bastante temperinho verde 2020 - Frango grelhado com alcaparras 1970 - Pudim de leite com calda de caramelo 2020 - Pavê diet 1970 - Coca-Cola com açúcar 2020 - Coca-Cola zero açúcar 1970 - Pessoas reunidas à mesa. Risadas, falatório. 2020 - Pessoas em silêncio à mesa. Celulares nas mãos, olhares dispersos, silêncio. 1970 - Uma mão segura a outra. 2020 - Falsa ilusão de que uma mão segura a outra. 1970 - A vida verde, ao ar livre. 2020 - A vida encaixada. 2025 - Sobrevive quem volta a promover almoços em família, com macarronada, frango caipira, pudim de leite e Coca-Cola. Regra Única - Sem celular à mesa, pelo menos enquanto se saboreia o Amor que ainda resta.  Mirra Medeiros - 12/01/2025 (domingo)

Lírio-da-paz

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No centro da cidade barulhenta tem um silêncio que vem dos apartamentos.  Quando mudou para o prédio antigo e bem localizado pensou que seria possível a convivência saudável, o diálogo com os vizinhos. Em poucos meses, o melhor era se afastar, silenciar, para impor seus limites.  Raramente o interfone toca.  Raramente alguém das outras portas a convida para um café. Melhor assim. Ela precisa trabalhar. A diferença da pandemia é que, quando sai à rua, as pessoas andam aceleradas, de um lado para o outro, e nem reparam o lírio-da-paz plantado ao lado da entrada de um prédio comercial. Só quando chove a população fala uma língua só. No mais, o burburinho é imenso diante de coisas fúteis. Ela não quer, mas julga. E se isola. A boca cala. Seu corpo fala. A enxaqueca aparece. Os olhos embaçam. Há uma tristeza no peito. Um vazio.  O que a faz olhar para o futuro são os laços com a família, filho, filha e neta.  Ela se permite sonhar a ganhar abraços, a andar de mãos da...